terça-feira, 30 de março de 2010

Causos da Finlândia - V

É um novo dia em Helsinki!


E desta vez fomos visitar um bairro que sedia uma das maiores especialidades do povo finlandês: a arte do design. É isso mesmo: a Finlândia é referência mundial no mundo do design, e (sem brincadeira) em quase todos os objetos e edifícios finlandeses, se pode notar um toque de originalidade e capricho.



Nossa primeira parada foi o Instituto Alvar Aalto de Arquitetura e Design, onde assistimos uma palestra com alguns profissionais finlandeses da área. Para quem não sabe (e ganha um doce quem souber!), Alvar Aalto foi um grande arquiteto/designer dos países nórdicos, e é considerado um dos pais do Modernismo naquela região.



Devo confessar: a palestra foi meio entediante, principalmente por ser em inglês e se tratar de um tema que não é muito de meu interesse. De qualquer maneira, eu pude entender o que, segundo os designers, seria a grande sacada do design finlandês: a oposição entre a simplicidade de vida do país, e a complexidade visual e conceitual do ambiente e dos objetos.


Devido ao frio intenso, historicamente os finlandeses sempre tiveram um estilo de vida consideravelmente simples. No inverno, praticamente não há sol, e há neve até os joelhos. Ficar em casa é uma atividade recorrente, e em épocas de menor tecnologia, a vida se resumia a comer, se esquentar (talvez na sauna) e dormir. Acho (preconceituosamente, diga-se de passagem) que, na falta do que fazer, os finlandeses acabaram se dedicando a criar o Linux e a Nokia enfeitar as coisas. De qualquer modo, ficam aí as fotos da palestra e do escritório do instituto:



Saindo de lá, fomos para outro lugar: uma empresa chamada Marimekko.



Fachada misteriosa... O que tinha lá dentro? Confira na semana que vem! ;)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Super heróis da vida real

A alguns anos atrás, surgiu uma prática um tanto quanto curiosa, divulgada em comunidades internet afora: a moda dos real life superheroes, ou super-heróis da vida real. São indivíduos que se vestem como os heróis dos quadrinhos, movidos por algum idealismo, e saem por aí combatendo o crime, ou alimentando moradores de rua, ou tirando a neve do jardim de velhinhos, ou apoiando a luta política dos trabalhadores, ou lutando pelo meio ambiente, ou tudo isso junto!


Os gringos Life, Captain Ozone e Dark Guardian


São diversos “super-heróis”, das mais variadas estirpes, desde bombadões treinados que saem por aí dando porrada em assaltantes, até gordinhos gente boa que ajudam a trocar o pneu furado. Há aqueles com roupas artesanais simples, outros com coletes táticos e à prova de balas. Você pode conferir vários deles no site World Superhero Registry, um dos mais antigos em atividade.



O engraçado nessa história toda, é que a própria Marvel (empresa que criou alguns dos heróis mais famosos dos quadrinhos) lançou uma série que conta a história de um super-herói da vida real. A obra se chama Kick Ass, e conta, em resumo, a história de um nerd que resolve vestir uma roupa e lutar contra o crime. Mas ele acaba descobrindo que a vida real é muito mais complicada que os quadrinhos que costuma ler. A fita fez tanto sucesso que virou filme, previsto para estrear daqui a alguns meses aqui no Brasil. Como amei os quadrinhos, estou esperando ansiosamente o filme! Fica aqui o trailer super fodástico:



Mas voltemos à vida real...


Como toda tendência que se preze na atualidade, a moda dos real life superheroes se iniciou nos EUA, e logo se espalhou por outros países, inclusive aqui no Brasil. Um dos “heróis” de maior destaque na cena brasileira é o chamado Vulto Vigilante, que prima pelo combate ao crime e mantém um blog (aqui) para contar os seus feitos. Aliás, ele nem mesmo se considera um real life superhero, mas sim o que chama de vigilante.


Nos textos do Vulto, estão presentes vários elementos de polarização da sociedade, entre os “homens de bem” e os “marginais”. Entre os primeiros, há os “faladores” e os “que tomam uma atitude”, na visão do “herói”. O discurso lembra muito aquele proferido pelos militares do BOPE no livro Elite da Tropa e no filme Tropa de Elite (2007), de que o policial (nesse caso, o cidadão comum) tem apenas três caminhos a seguir: ou se corrompe, ou se omite, ou vai pra guerra.


Esse discurso normatizador, que classifica os indivíduos enquanto “bons” ou “maus”, acaba cumprindo o papel de jogar toda a responsabilidade numa escolha moral, supostamente livre, por parte do criminoso. Desse modo, o “herói” julga combater o crime ao oprimir fisicamente (no caso do Vulto, por espancamento) o criminoso.


Justiceiro: meu herói preferido da Marvel. Legal na ficção, fascista na vida real.


O que escapa aos olhos do vigilante, contudo, é uma melhor análise de nossa realidade social, extremamente desigual e injusta. O crime é, acredito, um sintoma de uma sociedade desajustada, e o criminoso que apanha do “herói” ou da polícia é, na maioria das vezes, o elo mais fraco da corrente: pobre, negro e desestruturado. A injustiça maior, numa análise mais profunda, não é aquela que o assaltante comete, mas aquela que o compeliu ao ato criminoso, qual seja, uma situação de exclusão dos bens sociais mais fundamentais (educação, moradia, saúde, segurança, transporte, família, trabalho).


Não quero, com isso, eximir por completo o criminoso de sua escolha. Acredito que, independente das circunstâncias, sempre existe um caminho honesto para se viver. Do contrário, não teríamos tantos trabalhadores miseráveis por este país. A questão que coloco é que o crime comum, esse que o Vulto e outros “heróis” combatem, é um caminho que exerce mais pressão de escolha na vida dos despossuídos e marginalizados. Num país dotado de dignidade e democracia, esses peixes pequenos deveriam ser alvos de reintegração, não de punição. Insisto na tecla: quem tem oportunidades honestas, não tem porque entrar para o crime!


O problema da violência, no Brasil, não é moral ou cultural, em suas raízes. Nosso problema, Vulto, é político e econômico. Bater no assaltante, no pé-rapado, no aviãozinho ou no crackeiro não vai resolver nada. Talvez consiga deixar o bairro mais sossegado (criminoso nenhum quer viver na porrada), mas não é assim que a criminalidade vai parar. Não vai parar, porque é sintoma de algo maior, que não depende de socos-ingleses para mudar.


A vida real, infelizmente, é muito mais complexa que a ficção.

quinta-feira, 25 de março de 2010

O Alabê de Jerusalém


Ao longo de sua carreira, o cantor e compositor carioca, Altay Veloso, desenvolveu um trabalho artístico de muitas frentes, na intenção de contar a saga de Ogundana, um africano de Daomé que viaja para longe de casa e acaba conhecendo Jesus Cristo. A história foi contada primeiramente em livro, e logo após em CD, DVD musical e uma ópera teatral, reunindo vários cantores e músicos na elaboração do projeto.


Meu irmão foi quem assistiu comigo o DVD pela primeira vez. A obra é belíssima, e fala de tolerância e respeito à diversidade. Ogundana, africano e voltado para a crença nos orixás, parte em viagem até chegar ao Oriente Médio, se tornando amigo de Jesus Cristo e casando-se com uma judia. Na atualidade, volta como entidade, num terreiro, para contar a sua vivência, espalhando mensagens de paz e respeito entre as diferentes crenças.


Eu, sendo meio ateu e meio agnóstico (e essa confusão não me incomoda, de verdade), nunca fui um desses radicais desrespeitosos que trata as religiões como meros “traços evolutivos ultrapassados”. A fé é um elemento social que esteve sempre presente, assim como a arte, e querer aboli-la, a meu ver, é querer abolir uma das coisas mais particulares e bonitas que o ser humano criou. Claro que toda religião já deu e ainda dá as suas mancadas, mas o homem, enquanto ser imperfeito, é falho e erra tanto quanto acerta. As religiões, enquanto interações entre homens, reproduzem falhas também.


O que atrapalha, nesse caso, são os radicalismos, os interesses políticos, a intolerância, a persistência a códigos sociais ultrapassados (muitas vezes violentos e excludentes). Mas ainda há um ponto de convergência entre as crenças. Cristãos, judeus, islâmicos, kardecistas, budistas, umbandistas, candomblecistas, taoístas, hindus e todos os outros, retirando suas particularidades (decorrentes das próprias particularidades históricas de seu surgimento), nutrem entre si uma semelhança: a busca pela paz, pelo amor e pela humanidade. E é exatamente disso que se trata O Alabê, como podem conferir nesse trecho musical, no qual a entidade se defende das palavras intolerantes de um religioso:



Acho, no fim das contas, que o problema das religiões nunca foram elas em si, mas sim para quais fins foram usadas. Temos pastores estelionatários, padres pedófilos, pais de santo picaretas, mas também temos pessoas maravilhosamente iluminadas atuando nas frentes religiosas. Nesse sentido, acho que o bem e o mal (abstraindo a relatividade dos conceitos) não são naturais de uma crença ou outra, mas resultados de um processo de evolução espiritual (ou moral, seja lá como preferir). A religião é o mecanismo que orienta a forma dessa evolução, seu rosto, sua capa, um traço que explode em diversidade, como as culturas do mundo afora. E é na celebração dessa multiplicidade que reside a beleza da obra de Altay Veloso!


Para quem quiser comprar o DVD, como eu fiz, é só entrar na loja virtual do Alabê de Jerusalém. Lá também tem o livro, o CD, e outros produtos relacionados à obra.


Abraços, e um graças a Deus de um quase ateu, pela beleza da nossa diversidade!

Nova série: V

Daqui a alguns dias, estréia no Warner Channel a série “V”, um remake de uma série de 1984 chamada “V – A Batalha Final”. O enredo gira em torno de um acontecimento único: a chegada de naves alienígenas no planeta Terra, e a aparição de seus tripulantes diante das maiores cidades do mundo.


Pôster oficial da série, feito especialmente para o Brasil


O contato entre os humanos e os “visitantes” (como se intitulam), contrariando as expectativas, é tranquilo. Os aliens, de aparência idêntica à nossa, divulgam suas intenções pacíficas e cooperativas em relação ao nosso mundo, propondo alianças e auxílio tecnológico-científico em troca de nossa hospitalidade. Contudo, por trás desse discurso, se esconde uma verdade escabrosa, que será revelada ao longo da série, mostrando que os “visitantes” não são exatamente o que parecem ser.


Anna, a líder dos visitantes. "Somos pacíficos"... será?


Como sou um garoto esperto, já baixei adquiri os episódios de 1 a 4, e estou aguardando o lançamento do 5. Posso garantir que a série é muito bem feita, tem uma história envolvente e atiça a curiosidade do espectador. A única falha que notei foi uma revelação muito rápida de alguns fatos, mas isso não estragou a diversão at all.



Uma dica: para curtir melhor a série, recomendo se inteirar um pouco no mundo da Ufologia e das teorias conspiratórias. Uma boa fonte é o site pessoal do escritor Sérgio O. Russo, chamado “Nos Domínios do Realismo Fantástico”, repleto de artigos e imagens referentes a tudo que há de oculto: Ufologia, Criptozoologia, sobrenatural, teorias da conspiração, histórias de civilizações perdidas, sociedades secretas e por aí vai. Não vou dizer que levo a sério tudo que ele escreve, mas também não vou dizer que não levo nada daquilo a sério. De qualquer modo, pra quem vai assistir a série “V”, é uma boa chance de entender melhor as referências que aparecem, independentemente de achar que tudo isso faz muito, pouco ou nenhum sentido!


Espero que curtam a série!

terça-feira, 23 de março de 2010

Causos da Finlândia - IV

Pois bem, vou agora relatar o que aconteceu mais tarde, ainda naquele dia do churrasco. Estávamos todos cansados e com o estômago cheio, então retornamos ao hotel. Mais tarde, segundo o comunicado do argentino, iríamos andar de lancha nas águas do mar báltico. A idéia original era andar de balão, mas como ventava e chovia, o programa infelizmente foi substituído.


Como ainda tínhamos um tempinho de sobra, eu e meu irmão decidimos andar um pouco pelos arredores para conhecer o centro da cidade. Eu, morrendo de fome, parei numa barraquinha de fruta (feira tem em todo canto!) e comprei um potinho de blueberries (mirtilo, em português). É uma frutinha beeeeeeeeeem ácida, mas muito saborosa.


No caminho, topamos com a Catedral Luterana de Helsinki, uma construção muito bonita, no topo de um patamar que dá vista para os prédios em volta. O vento permanecia geladíssimo. Passeamos mais um pouco, e logo após regressamos ao hotel.


Nos juntamos ao grupo, entramos no micro-ônibus e rumamos para o local onde a lancha nos aguardava. Devido ao frio (com a velocidade da lancha, a sensação térmica seria de abaixo de zero, apesar da temperatura efetiva estar na casa dos 10 graus), vestimos um roupão super complicado, óculos e toucas. Para minha infelicidade, não fiz nenhum registro do passeio de lancha ou das roupas, mas apenas do píer e do mar acinzentado:




Recuperados do frio, da adrenalina, das bochechas dormentes (eu), da luva molhada (Bruno) e do dedo quase quebrado por causa dos solavancos (Bruno), seguimos para o restaurante Nokka. Como o lugar era muito chique, me contive um pouco nas fotografias. Comemos carne de cordeiro, carne de rena, e uma sobremesa fantástica, com suspiro, doce de leite, maçã, sorvete e pétalas de flor. Nossa mesa, como de praxe, foi a mais barulhenta e alegre.



Dia agitado, mas ainda não havia sido o melhor da nossa viagem. Até terça!

segunda-feira, 22 de março de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

Soldados da Segunda Guerra Mundial

A alguns dias atrás, eu estava fuçando nas minhas comunidades do Orkut para matar o tempo. Acabei entrando na comu Segunda Guerra Mundial, e me deparei com um sujeito chamado Adriano [SFC] divulgando seu trabalho artístico. (veja aqui o tópico) São quatro desenhos de soldados, detalhadíssimos, um pitel pra quem gosta do assunto "Segunda Guerra". Um alemão, um americano, um russo e um japonês, com seus devidos uniformes e equipamentos. Gostei tanto que não tive dúvida: rapidamente pedi autorização do autor para divulgar o trabalho dele aqui no blog, e o cara, super gente boa, autorizou! Ficam aí as imagens para a sua admiração:

Resolution
Bougainville - Outubro 1943 - PFC - 9th Marine Regiment/3rd Marine Division.


Fehlschlag
El Alamein - Novembro 1942 - Feldwebel - Panzergrenadier-Regiment 104/21. Panzerdivision.

Nadiejda
Leningrado - Dezembro 1941 - Starshyi Lejtenant - 21. NKVD Motostrelkovaya Divizya.

Gisei
Tarawa - Novembro 1943 - Chu-i (Subtenente) - 7° Sasebo Rikusentai

Espero que tenham gostado! Abraços!

quinta-feira, 18 de março de 2010

I Jornada E-Urbano


Neste próximo dia 23 (terça feira) o LABEURB (Laboratório de Estudos Urbanos) da Unicamp realizará, no auditório do IEL (Instituto de Estudos da Linguagem), a I Jornada E-Urbano – espaço urbano/espaço digital: vias de circulação de sentido. O evento é fruto das pesquisas desenvolvidas pela equipe do projeto E-Urbano, que busca estudar as inter-relações entre as tecnologias digitais e a composição urbana.


É uma ótima oportunidade para estudantes de variadas áreas de estudo (Lingüística, Ciências Sociais, Midialogia, Engenharia da Computação, Ciência da Computação, Audiovisual, Comunicação, Pedagogia, e por aí vai), bem como para quaisquer interessados no assunto. Fica aqui o convite! Segue abaixo a programação do evento:


9h00 – Abertura


9h15 – 10h30

Mesa 1: Língua, comunidade e relações sociais no espaço digital

Profª. Drª. Eni Orlandi (IEL/LABEURB/NUDECRI)

Profª. Drª Carolina Rodríguez (LABEURB/NUDECRI)


10h30 – 11h45

Mesa 2: Simulação, hibridismo e avatares no espaço digital

Profª. Drª Cristiane Dias (LABEURB/NUDECRI)

Fábio Bastos (LABEURB/NUDECRI)


Almoço


13h30 – 14h45

Mesa 3: Direitos autorais e criminalidade no espaço digital

Prof. Drª.Marcos Barbai (LABERUB/NUDECRI)

Profª. Drª. Ana Sílvia Couto de Abreu (UFSCar)


14h45 – 16h30

Mesa 4: Rádio, Televisão e Internet: divulgação científica no espaço digital

Profª. Drª. Telma Domingues (UNIVAS)

Wagner Cantori (Mestrando – MDCC - IEL/Labjor)

Olívia do Couto (Mestranda – MDCC – IEL/Labjor)


16h30 – 17h30

Experiência Multimídia e-Urbano

Prof. Ms. Allyson Vitale (UNIVAS)


Abraços, e estarei por lá!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Competindo no Tai Chi!

Notícia legal: vou competir no regional, na modalidade Taijiquan (ou Tai Chi Chuan), pelo CEAMC (Centro de Estudos de Artes Marciais Chinesas) da Unicamp. Pratico a cerca de 1 ano, e esta será a primeira vez que vou competir. Até lá, tenho muito treino pela frente; vou ter que me esforçar pra depois não fazer feio. Deixo um vídeo com a Forma 24, a que irei apresentar:


Torçam por mim! Abraços!
PS: ignorem o jebajeba em chinês no vídeo, não sei o que ele está falando

Causos da Finlândia - III

Aqui estou eu de volta, finalmente, com a terceira parte dos causos. Desta vez não vou falar de desencontros, arquitetura ou a frieza dos nativos. O assunto agora é comida! Aqui relatarei sobre a experiência gastronômica que eu, meu irmão e todo o grupo tivemos no dia que se seguiu à visita ao restaurante Seahorse (se não lembra, clique aqui).


Nosso segundo dia na Finlândia teve um ótimo início. Estava programado que o grupo visitaria o hotel Hanasaari, com direito a sauna, piscina, lareira, almoço típico e churrasco ao céu aberto. A idéia era experimentar alguns dos costumes finlandeses (para quem não sabe, tem duas coisas que finlandês adora: sauna e churrasco).


Resolvi topar a parada. A sauna, apesar do simples termo invocar piadas, é um ambiente muito bacana. Melhor ainda é sair dela e pular direto na piscina gelada. O choque térmico, segundo os finlandeses, seria benéfico para a saúde. O comum, na ausência de piscina, é pular peladão dentro de um lago. Se fosse lago, eu não pulava nem fodendo. De qualquer modo, após alguns mergulhos, me aquietei em frente à lareira, e logo após fui almoçar (e que almoço!):



Salsichões, espetinhos, uma espécie de salpicão, batatas assadas, e uns molhos diferentes e muito apetitosos, além dos clássicos “biscoitos-europeus-e-estranhos-que-ninguém-gosta”, compunham a nossa refeição. O rango foi preparado pelo famoso chef Kim Palhus, referência em culinária nórdica (é sério, Google it!) e extremamente habilidoso.



Após a primeira rodada, seguimos para a parte externa do hotel. Chovia fininho, mas pra não perdermos a viagem, o chef fez questão de acender a “churrasqueira” e mandar brasa. E não foi pouca bosta! Fica aí um trecho que eu filmei durante a preparação:



Pra quem não percebeu (já que o audio tá uma bosta), a carne em questão era carne de rena, aquele mesmo bichinho que puxa o trenó do Papai Noel. Finlandeses comem rena (e também urso, pelo que descobri depois, mas não deve ser de forma tão popular), é tipo um prato típico da cultura do país. A carne é adocicada e forte, com uma cor escura e textura bem macia. Ficam aí as fotos pra dar água na boca:



Saindo do Hanasaari, no mesmo dia, nosso grupo ainda fez outras coisas. Mas isso vai ser assunto de outro post. Espero que tenham gostado das fotos e do relato. E espero, sinceramente, poder comer carne de rena novamente! Até semana que vem!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Alice is Dead

No dia 23 de abril estréia, no Brasil, Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010), o mais novo e esperado filme do diretor Tim Burton (dispensa maiores apresentações), com a estrelinha Johnny Depp no elenco. Falem bem ou falem mal, vai ser um filme que muita gente vai querer conferir. De qualquer maneira, a fita ainda não saiu e este post é pra falar de um game bacana que encontrei por aí.

Alice is Dead ("Alice está morta") é um jogo em flash no estilo point'n'click, daquele no qual você tem que sair clicando por cenários diversos, encontrar itens e utilizá-los no momento e lugar certo para resolver enigmas (bem divertido pra quem tem paciência). O enredo é uma releitura da obra clássica de Lewis Carrol, mas com uma pitada de bizarrice e suspense. A imagem é turva, parecida com uma televisão antiga, e a trilha sonora é muito, muito, muito da hora! Já foram duas partes lançadas, e apesar de serem ambas curtas e fáceis, vale a pena dar uma olhada, só pela beleza da coisa. Um spoiler: a aparição do Chapeleiro é simplesmente fantástica!


Boa diversão!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Defendendo Nicolau

Que maquiavélico você é! Como você é ruim!


Nicolau Maquiavel (1469-1527)


Querido leitor, aqui inauguro a seção de posts chatos. E decidi começar por um texto que falasse sobre um dos meus autores preferidos, estudado no curso de Ciências Sociais: Nicolau Maquiavel. Enjoy!


Se houve um adjetivo na história da política, e mesma da vida privada, que foi continuamente usado para denegrir e desqualificar o outro lado do conflito, é aquele derivado do nome de Nicolau Maquiavel, pensador florentino do século XVI. Maquiavélico e maquiavelismo são termos comumente associados à maldade, à trapaça e à imoralidade. Até Shakespeare pegou no pé do cara, chamando-o de “The Murderous”. Além disso, é de senso comum que a frase “os fins justificam os meios” seja de autoria do pensador. Pois é, acontece que tio Nicolau nunca quis pregar a malevolência generalizada, muito menos proferiu tal frase. Cometemos calúnia das grossas a todo o momento! Tentemos entender o porquê.


Nascido em Florença, em 1469, Nicolau Maquiavel preocupou-se sempre, dentro de suas obras e em sua vida pública, em estudar e discorrer sobre o Estado e a política. Seu livro mais famoso e mais reconhecido é O Príncipe, inspiração mais direta para as fofocas de “mimimi-maquiavel-é-malvado” que surgiram depois.


Página de rosto da edição de 1580


A obra, feita como presentinho para Lourenço de Médici, Duque de Urbino, se propõe a ser uma espécie de “manual do governante”. A intenção é ajudar não apenas a conquistar o poder, mas mantê-lo consigo. Para atingir esse objetivo, explica Maquiavel, há de se fazer o que for necessário. Mas o “necessário” seria sinônimo de “qualquer coisa”? Bem, não exatamente. O autor, nesse sentido, trabalha sobre dois aspectos da vida política (e, por que não, da vida em geral), dois conceitos chaves de compreensão de seu pensamento: a fortuna e a virtù.


Meu deus Samuel, que diabos é isso?


Calma padawan, já explico.


Fortuna pagando peitinho e derramando a cornucópia... sexy!


A fortuna é uma mulher. Bem, não exatamente uma mulher, mas é bem parecida (machismo detected). Ela é o circunstancial, aquilo que acontece independente da vontade do homem, o imprevisível que pode favorecer uns e fuder prejudicar outros. Como uma mulher, indeed (tá tá, eu paro com as piadas machistas). Brincadeiras à parte, a fortuna de fato era associada a uma figura feminina:


“Para os antigos, a Fortuna não era uma força maligna inexorável. Ao contrário, sua imagem era a de uma deusa boa, uma aliada potencial, cuja simpatia era importante atrair. Esta deusa possuía os bens que todos os homens desejavam: a honra, a riqueza, a glória, o poder. Mas como fazer para que a Deusa fortuna nos favorecesse e não outros, perguntavam-se os homens da antiguidade clássica?” (SADEK, 1991, P. 21)


Qual a resposta da pergunta? Vejamos:


“Era imprescindível seduzi-la, respondiam. Como se tratava de uma deusa que era também mulher, para atrair suas graças era necessário mostrar-se vir, um homem de verdadeira virilidade, de inquestionável coragem. Assim, o homem que possuísse virtù no mais alto grau seria beneficiado com os presentes da cornucópia [quem já jogou Final Fantasy sabe o que é isso] da Fortuna.” (idem)


Simplificando, ter virtù era saber dominar a fortuna, pegar ela pelos cabelos, jogar na parede e chamar de Shirley! É a maneira pela qual o homem se aproveita ao máximo do que ela lhe dá, sabendo se virar se ela não der nada. Um bom governante, virtuoso, age conforme a necessidade para se manter no poder, e constrói seu próprio destino até onde consegue. Isso não significa, contudo, que ele possa fazer qualquer coisa! E é aqui que começa a treta (se alguém agüentou ler até aqui, continue; acho bem interessante).


Um ato só é virtuoso se o resultado dá certo. E o que é dar certo, no caso de um Príncipe? Ora, é alcançar tudo aquilo que a fortuna concede aos machos que a dominam: riqueza, honra, glória, sexo status, poder, fama e a segurança de seu povo. Maquiavel não disse, mas se tivesse dito, a frase seria “determinados fins impõem determinados meios, desde que esses meios levem efetivamente a esses determinados fins; que são a riqueza, a honra, a glória, etc” ao invés de “os fins justificam os meios”. Bem mais difícil de usar no dia a dia...


Então, concluindo: Maquiavel não prega a perversidade e a imoralidade. O que ele quer dizer, na real, é que a “perversidade” e a “imoralidade” são aceitas na medida em que são necessárias, assim como a “bondade” e a “benevolência”. Sendo assim, é necessário virtù para usar esses recursos no momento e na medida certa. Legalzinho, né?


Nicolau Maquiavel não apóia a crueldade e a violência, mas apenas as comporta dentro das possibilidades. Isso ocorre pois nosso querido florentino pensa na “realidade efetiva das coisas” (ou verità effetuale delle cose, para quem curte italiano), isto é, pensa na política como “ela é”, e não como “poderia ser”. A política tem uma lógica e uma ética própria, não se guia pela moral cristã ou qualquer outro código externo, a não ser quando a ocasião assim impõe. No fim, O Príncipe não ensina ninguém a ser “do mal” ou “do bem”, simplesmente porque para a política isso não existe! O que existe são os homens virtuosos e os não-virtuosos, capiche?


Espero que este tópico bobo diminua as calúnias cotidianas contra Maquiavel! Abraço!


BIBLIOGRAFIA


MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. 1ª edição. Porto Alegre: LP&M Pocket, 2008.


SADEK, Maria Tereza. Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual de virtù. In: WEFFORT, Francisco C. (Org). Os Clássicos da Política – Volume 1. 2ª edição. São Paulo: Ática, 1991. P. 11-24.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Comunicado

Professor de Economia Brasileira: "Leiam a Introdução e o Capítulo II para a próxima aula..."

Os estudantes pensam: "Eba, vai ser pouquinho!"

Professor: "Ahn, pensando bem, leiam o Capítulo I também!"

Estudantes: "Ah, aumentou um pouco, mas continua pouca coisa!"

[estudantes checam o livro, e constatam que ele só tem dois capítulos mesmo, totalizando 180 páginas... FFFFFFFFFFFFFUUUUUUUUUUU...]

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Leitor(es),

Graças do meu digníssimo professor de Economia Brasileira (não só ele, mas principalmente ele), nesta semana vou diminuir a quantidade de posts. Talvez daqui pra frente diminua gradativamente, até as férias voltarem, visto que estudar Ciências Sociais não é brincadeira. De qualquer modo, isso não vai me eximir de escrever "Causos da Finlândia - III" na terça feira que vem! Enquanto isso, fiquem com a Zona Nerd, um blog mil vezes melhor e mais divertido!

Abraços!


terça-feira, 9 de março de 2010

Flag in the Ground - Sonata Arctica

Hoje, teoricamente, seria dia de "Causos da Finlândia". Infelizmente, estou muito cansado e sem tempo, devido às aulas da faculdade. Mas prometo que até semana que vem publico a parte III da série! Enquanto isso, curtam um pouco de Sonata Arctica, uma banda finlandesa que gosto pra caralho. A música Flag in the GroundI faz parte do álbum Days of Grays, lançado em 2009. O álbum em si não foi grande coisa, mas essa música em especial me agradou bastante. Enjoy!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional das Mulheres

Hoje, dia 8 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Dia de dar beijo na mamãe, na namorada e na vovó... NOT!


“Feliz Dia das Mulheres” é uma das frases mais arrogantes que podem sair da boca de um homem. Vejamos o por quê!


Cartaz soviético de 1932. Em vermelho: "8 de março é o dia da rebelião das mulheres trabalhadoras contra a escravidão da cozinha." Em cinza: "Diga NÃO à opressão e ao conformismo do trabalho doméstico!"


A data, adotada oficialmente pela ONU em 1975 e lembrada por socialistas do mundo todo desde o começo do século XX, representa um momento de reflexão crítica e muita luta. Sua origem remonta a uma possível greve de tecelãs numa fábrica em Nova Iorque, em 1857. Segundo os relatos, as operárias lutavam por melhores condições de trabalho. Violentamente reprimidas, foram trancadas dentro de uma sala da fábrica e queimadas vivas. Cerca de 130 delas morreram.


Não se sabe ao certo o quão verídica é a história, mas o fato é que o mito conferiu força à data e a tornou um símbolo de resistência das trabalhadoras. Resistência a quê? Ora, ser operária é ser explorada duplamente: por ser proletária e por ser mulher! Historicamente, as mulheres sempre receberam salários menores e ocuparam cargos de menor prestígio, além de terem tratamento diferenciado no que concerne aos seus direitos. No cotidiano, a mulher sofreu violência e abusos, e ocupou um papel secundário, sendo quase um sinônimo de “mãe e dona de casa”. Nesses termos, resistir se tornou uma verdadeira necessidade e, se hoje as mulheres possuem melhores condições sociais e econômicas, isso foi resultado de muita luta das companheiras do passado.



A mensagem é sólida e coerente. Mesmo assim, muitos não fazem a mínima idéia do teor do Dia Internacional das Mulheres. E carregam, sem perceber, traços de uma mentalidade totalmente inversa no discurso de suas falas. Os dizeres “Feliz Dia da Mulher”, muitas vezes, fazem referência a uma boa mulher que suportou suas “dificuldades”, isto é, à mulher que desempenhou passivamente seu papel (a mãe que sempre cozinhou bem, a avó que foi uma ótima dona de casa, a esposa que é uma ótima mãe, etc).


Exalta-se a delicadeza, a paciência, a estética vaidosa e a função do cuidado. Existe até um reconhecimento das dificuldades de ser mulher, mas não há um esforço em criticar ou desnaturalizar esses papéis definidos. No fim das contas, a verdade que sobra é que mulher boa apanha quieta e suporta as dores impostas, ao passo que a mulher que reage e luta... é descontrolada ou louca!


A meu ver, não é assim que os homens devem se lembrar das mulheres. E nem é assim que elas devem lembrar de si mesmas. O Dia Internacional da Mulher é, antes de ser um dia de sorrisos, um dia de gritos. Um dia de reflexão política necessária, que de feliz (no sentido boboca que atribuem) não tem nada. Feliz mesmo, só a esperança de um futuro diferente que não vem de graça.